O que se ensina hoje nas nossas escolas?
É sabido que os objectivos são os de atingir um certo quantitativo estatístico em função do qual são ajustados currículos, “critérios” de exigência e rigor, ou, melhor dito, a sua ausência. Conteúdos e metodologias obedecem a tais objectivos. Até porque como já foi dito por vários políticos, entre os quais uma ministra da educação, chumbar um aluno fica muito caro.
Poder-se-ia, ingenuamente, pensar que o ensino público, porque gratuito, teria como objectivo preparar as crianças e jovens para agir tendo em consideração esse público, seja na qualidade do exercício das suas actividades profissionais, seja no eventual exercício de cargos públicos ou políticos.
Mas não. O único objectivo é encher estatísticas abolindo exigências e rigor. Criou-se uma escola de permissividade onde não existe qualquer autoridade além do livre arbítrio do aluno.
Há décadas que se anda a confundir a igualdade de acesso com o “passar” e diplomar toda a gente.
Criou-se uma escola onde o importante é que o aluno seja feliz. Que aprenda algo que lhe dê instrumentos para a vida quando adulto, isso é algo que ainda está muito longe na visão dos especialistas do ensino. O importante é o hoje. Que amanhã seja mais um jovem polidor de esquinas, passador de droga, traficante de carne humana ou simplesmente drogado (deixemo-nos de eufemismos politicamente correctos) e sem abrigo, é um problema menor e sempre justificará os protestos bem intencionados dos mesmos que ajudaram a criar esta situação e até serve como detergente para lavar a consciência.
Temos a geração mais diplomada de sempre. Simultaneamente temos a mais ignorante de sempre. Os políticos que estão no poleiro são um exemplo flagrante de ignorância e incompetência. A leitura de jornais, o ver ou ouvir comentadores na TV ou ouvir rádios, são momentos aterradores de constatação de uma realidade que há trinta anos seria impensável. A mediocridade é tal que o melhor será desligá-los. E os comentários que poderemos ler nos jornais on-line? Bom, depois de os ler, qualquer filme de terror parece uma comédia para famílias.
São assim todos os que saiem da escola ou possuem um diploma? Claro que não. Pelo menos ainda não. Também é certo que aqueles que se destacam pela qualidade o fizeram por mérito próprio e não pela escola, salvo raras excepções de um professor que de facto lhes tenha dado asas e ensinado a voar. Mas esses são os que procuram e constroem os seus próprios caminhos.
Uma boa parte dos que aí não chega são apenas uma estatística. E, para desvalorizá-la, compara-se com outros países para se dizer que até nem somos muito piores. Argumento ilustrativo da mediocridade de quem o usa.
E por onde andam estes jovens? Bairros marginais, bairros que não são marginais, gangs juvenis, claques (ultra) de futebol, etc. São estes a presa fácil para quem, aparentemente lhes dá um sentido para a vida, coisa que nenhuma escola alguma vez se preocupou.
Qual é, então, a admiração quando se veem envolvidos no tráfico de droga, na prostituição, em assaltos, etc?
Daqui para o isis é apenas uma suave passagem.
Para quê, então, gastar milhões de milhões a combater um inimigo de fora, quando o inimigo é toda a política de ensino e social interna?
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