sábado, 27 de fevereiro de 2021

Censores e censores anti-censura

Agora que os racistas anti-racistas estão numa ligeira pausa reflexiva, surge subitamente uma carta censória que teve logo a resposta de pelo menos duas cartas censórias, tudo no público e uma no eco (https://www.publico.pt/2021/02/23/opiniao/noticia/carta-aberta-televisoes-generalistas-nacionais-1951298  , https://www.publico.pt/2021/02/27/opiniao/noticia/carta-aberta-diaconos-remedios-1952342  ,  https://eco.sapo.pt/opiniao/uma-carta-aberta-aos-censores/ )

Se a primeira é uma lamechice pegada, as outras duas são um blá, blá, composto de clichés análogos ao dos censores, ao mesmo tempo que reclamam pela liberdade, coisa que não parecem saber o que seja. Na prática são apenas censores anti-censura.

A lamechice da primeira é a comprovação da incompetência generalizada das figuras que pululam pelo governo. Os jornalistas são agressivos? São impertinentes? Oh! Que chatice! Então com o tempo de antena que os vários ministros, secretários, acessores têm, não há um só que ponha, em directo, os jornalistas em sentido com argumentos devidamente fundamentados?

É certo que é capaz de ser difícil preservar um pouco de respeito ou credibilidade quando, por exemplo (apenas três entre dezenas, para ser optimista), em menos de 24 horas, a dgs, o ministério da saúde e o primeiro-ministro dão quatro números diferentes e completamente díspares para a capacidade de testagem, que variavam entre os 30.000 e os 4.000, numa altura em que se faziam pouco mais de 2.000 testes diários. A situação da linha saúde 24, que era uma questão de logística elementar foi apenas mais um pequeno pormenor de quem ao longo destes meses se tem comportado como baratas tontas. Mais recentemente temos as promessas de que vão ser vacinados até... No entanto, qualquer prazo está limitado pela recepção de vacinas. Seria elementar dizer que há a capacidade técnica de aplicar um certo número de vacinas, desde que as haja. Ah! E também o insignificante pormenor de não terem seringas suficientes, que só não se tornou mais visível porque não há vacinas.
A partir destes pequenos, mas significativos exemplos, quem é que confia nestas figuras para levar a cabo qualquer tarefa? E se estas figuras não são capazes de por si só dar respostas conclusivas a jornalistas "agressivos", apenas reforçam a ideia de incompetência. Compreende-se então que peçam uma ajudinha, não para resolver o problema de saúde, mas para resolver o problema de poleiro. E, como somos um povo de brandos costumes e amantes de fado, nada como uma cartinha lamechas.


Já os censores anti censura usam os métodos do costume. Completa ausência de perspectiva, opiniões avulso, fundamentação zero. São o perfeito exemplo da mediocridade "jornalistica" em embrulho assim assim, e conteúdo ausente.


Enfim, a demonstração de ignorância e falta de rigor conceptual e, consequentemente, de ausência de um pensamento. Apenas ruído e tagarelice.

2 comentários:

  1. Claro, lúcido, contundente. Crítico com argumentos! Desafio para as ideias! Eis como se exerce a liberdade! Ester Varzim

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    1. Graças a ti, podemos constatar com mais facilidade como estes governantes não têm sido coerentes.
      De nada serviram 47 anos de Democracia, apenas o nome. De tudo o que evoluiu foi a ganância do poder de todos eles.

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