Um dos filósofos de referência (Hegel) dizia (mais ou menos) que tudo traz em si a semente da sua própria destruição.
Olhando a Europa de hoje e os partidos que nela proliferam, é, para quem quiser ver, que os pretensos democratas, à esquerda ou à direita (como se existisse algo além de nichos de mercado) são os portadores da sua própria destruição.
É fácil verificar que não há em qualquer partido um pinguinho de pensamento reflexivo, uma perspectiva de acção que veja para além do próximo lance como num mau jogo de xadrez.
Nada é feito em função de um futuro que acautele as novas gerações e as que hão de vir. Por incompetência, por interesse, por egocentrismo, no fundo por indigência moral e intelectual.
Eis um pequenino exemplo dessa indigência e desse caminho para a destruição da democracia : há poucos dias, enquanto o portão da minha garagem baixava, um indivíduo conseguii esgueirar-se pelo curto espaço ainda livre e introduzir-se na garagem, roubando uma bicicleta. Quando saia já com a bicicleta, por mera coincidência passava uma carrinha da polícia que, já o conhecendo o mandou parar. Entretanto o meu vizinho, proprietário da bicicleta confirmou o roubo e a polícia levou o assaltante para a esquadra, não sem que este, com ar de gozo, se risse na cara do polícia porque o mais tardar no dia seguinte já estaria cá fora.
Isto foi um facto que presenciei à porta da minha casa. Ocorrem-me então várias questões.
1 – porque se ri o assaltante?
2 – se os polícias o reconheceram e mandaram parar foi porque tinha antecedentes dos quais saiu impune.
3 – sabendo os polícias que o resultado seria a libertação do assaltante, por que raio se hão de dar ao trabalho e eventual risco de o prender?
4 – qual seria a atitude de qualquer pessoa que no desempenho do seu trabalho fosse gozado publicamente?
5 – qual o sentimento da vítima sabendo que o assaltante pode impunemente continuar os seus assaltos?
Este exemplo basta-me e nem preciso de referir notícias de jornais que diariamente referem assaltantes recorrentemente presos e imediatamente soltos, de queixas de violência doméstica e perseguição que acabam em mortes, de cadastrados que ameaçam, agridem e ferem e continuam impunemente na sua “actividade “.
Há gente que difama, insinua, afirma e não tem que fundamentar aquilo que diz. Tudo é liberdade de expressão. Por exemplo chamar filho da p***, cab***, etc a policias não é insulto, segundo notícia de um jornal que há tempos relatava uma decisão de um tribunal. Só tenho dúvidas que a decisão fosse a mesma se o não insulto fosse para quem proferiu a sentença.
Quem se dê ao trabalho de ler ou ver diariamente estas notícias, talvez sinta alguma indignação, sobretudo se trabalhar e fizer os seus descontos que depois pagam as casas camarárias, os rsi, as seringas e o lixo espalhado pelas ruas.
Como não compreender a reacção do autarca que quer tirar as casas camarárias a quem comete crimes?
Os tribunais soltam os assaltantes porque é a lei, embora não perceba muito bem como é que alguém que não tem residência possa ser sujeito a termo de identidade e residência. Mas enfim, são pormenores.
Surge-me então outra pergunta : quem faz as leis? Não são os governos e os deputados?
Então se na prática, os pequenos exemplos atrás falados são consequência das acções de governantes e deputados, quer dizer que estes são objectivamente cúmplices desta impunidade e destes actos.
Mas como tudo é legal, está tudo bem.
E assim se destrói a democracia, como bem sabe a nossa actual vedeta que entretanto vai aumentando o seu nicho de mercado.