segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O lixo, a ETAR e o vómito.

 


Numa grande acção de agitação e propaganda, o PS faz de conta que se preocupa com a democracia, com a ética, com a verdade, inicia uma campanha de limpeza de imagem e vai varrendo para debaixo do tapete o lixo.

O PM baralha factos e apresenta-os reciclados. Por exemplo, o caso Sócrates e Manuel Pinho são uma vergonha para a democracia, mas não diz que são uma vergonha para o PS. Por outro lado, se nada se provar é uma vitória da justiça. Ora como nada se provar é apenas isso, nada ser provado, onde está a vitória ou orgulho na justiça? Ou será desde já uma “ordem” à justiça para que nada prove porque de contrário não há justiça?

Para PM anda com muitas falhas argumentativas ou então é intencional. Num ou noutro caso é grave.

Mas não deixa de ser curiosa esta súbita necessidade de tomar um duche de democracia. Um duche rapidinho, só para limpar um pouco de poeira. É que andar anos a fazer de conta que Sócrates não existe, que Pinho não existe, que PPP não existem, revela o carácter do PM e do partido que chefia.

Sócrates vir afirmar, depois do vídeo da SIC, que não sabia da gravação quando no final se vê e ouve a conversar sobre a mesma e o seu advogado a pedir as cassetes, é, no mínimo, parvoíce e a confirmação de que não tem qualquer problema em mentir. Demitir-se do PS é a saída “airosa” para ambos.

Sobre Pinho, há anos que recorrentemente vários jornais abordam o assunto. De súbito sentem-se chamuscados?

E as PPP, alguém se preocupou em saber onde andam os que as negociaram?

E o mais recente assunto dos deputados viajantes? Não sabiam? É legal? É aproveitamento? É ético? Receber por algo que não fez revela o carácter de quem assim age. Quando presidente da assembleia, do partido e deputados defendem aqueles actos, revelam também o seu carácter e por arrasto, o do partido e assembleia. E se é legal porque os próprios fizeram a lei, não é ético porque a ética não é feita por decreto.

Em conclusão, ficamos a saber que pode ser uma vergonha para a democracia mas não para o PS.

Ficamos também a saber que estas limpezas são como aquelas Etar que afinal não limpam nada e se limitam a receber os detritos de um lado e vomitá-los pelo outro.

Um triste espectáculo, que já nem cómico é e cada vez se assemelha ao do vendedor de banha da cobra que não está para enganar nem um nem dois nem três, mas todos de uma só vez.

Tristes vultos estes da nossa política, que têm o tamanho e consistência da sombra projectada e apenas existem em função da luz que a molda.

A limpeza para preparar as próximas eleições é apenas mais do mesmo, ou seja, nada.

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