Estórias da
Utolândia – da estupidez diplomada e da irresponsabilidade criminosa
Como é sabido, há décadas que as políticas governamentais e a narrativa dominante na Utolândia têm conduzido não só a uma incompetência generalizada mas também a uma ignorância crescente e a uma estupidez contagiosa.
Nos dias
que vão correndo, duas pestes concorrem, na Utolândia, pelo primeiro lugar: a
peste da estupidez e uma nova, de origem vírica, que surgiu há pouco. Nem uma
nem outra têm ainda cura. Apesar da tão falada imunidade de grupo, a primeira continua
a afectar a generalidade dos utolandeses e para a nova talvez haja a
possibilidade de uma vacina ou medicamento. Para a primeira já não há
esperança.
Em boa
verdade o problema não é exclusivo da Utolândia mas do planeta na sua
generalidade. Um dos meus exemplos favoritos é o de uma senadora sul americana
que propôs a realização de um referendo para decidir se a terra é redonda ou
não.
Como também
se sabe, na Utolândia, todos ou quase são especialistas em futebol. Surgiram
agora duas novas modalidades em que quase todos os utolandeses se tornaram
especialistas: direito e epidemiologia. Alguns até são especialistas nas duas.
Um exemplo: no fim de semana um grupo destes especialistas promoveu uma
manifestação anti-máscaras. Fundamento? O direito de não usar aquele acessório
que ainda por cima é inútil. Como se vê, especialistas que ao mesmo tempo que
afirmam o seu direito a infectar os outros, explicam cientificamente a
ineficácia das máscaras com a evidência do embaciamento das lentes de quem,
simultaneamente, usa os dois acessórios (máscara e óculos). Se as lentes
embaciam é porque o vapor provocado pela respiração não fica contido na máscara
e daí a inutilidade da mesma. Como este especialista parece saber, não há
qualquer diferença entre estas gotículas e a projecção à distância que acontece
quando se espirra, tosse ou fala.
Também um
outro especialista, este, devidamente diplomado na área, afirma que as máscaras
são inúteis e o importante são as mãos. Portanto, parece que a lavagem das mãos
substitui a máscara.
Depois
temos uns escrevinhadores diplomados, sobretudo em estupidez, mas
simultaneamente em tudo o resto, como política, ciência, estatística,
epidemiologia, gestão hospitalar e sei lá que mais. Parece que a máscara, além
de inútil, aumenta o medo. E depois, a nova peste só mata os velhos. Além do
mais, o vírus nem se espalha pelo ar e os especialistas que afirmam o contrário
são parvos. Portanto, há que, irresponsavelmente, contribuir para a manutenção
das duas pestes. Até porque, como se sabe, o medo entope os hospitais e esgota
a capacidade de internamento. Já a peste vírica em nada afecta.
Claro está
que a nenhum destes especialistas ocorre que a necessidade de implementar leis
que obriguem e penalizem, só acontece pela irresponsabilidade generalizada.
Também, a quem governa, não ocorre que as contradições, ausência de critérios
médicos e hospitalares uniformes, falhanço de questões de logística elementar
ou a péssima informação contribuem para a sua descredibilização.
Dominados pela
peste da estupidez, os utolandeses deliram com estes espectáculos, escritos e
televisivos, ainda mais que com os segredos e irmãos.
Entretanto
já há hospitais sem espaço físico para internamentos. E não falo de camas, que
estão esgotadas. Já não há sequer macas ou lugar onde colocar doentes. E nem
digo das urgências ou do pessoal de saúde infectado.
Na
Utolândia, a irresponsabilidade criminosa é mesmo um espectáculo!
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