sábado, 27 de fevereiro de 2021

A irritante simpatia das pessoas simpáticas

Há uma irritante forma de pensar que é não pensar. É uma forma de confundir emoção com pensamento reflexivo. Assim, linearmente, é o que os louvores pelo sacrifício em benefício do bom povo significam quando se fala da ministra da saúde ou da responsável pela dgs. Bom, até poderão ser as pessoas mais simpáticas deste mundo e arredores. Porém, nos lugares que ocupam não quero pessoas que valham pela sua simpatia e afabilidade. Já a sua capacidade de sacrifício é um ponto a considerar. No entanto e na situação de excepção em que vivemos, o que quero é alguém que não atrase a compra de vacinas para a gripe (não é da Covid-19, é da gripe) e venha com desculpas do mercado. Alguém que atempadamente prepare a linha saúde 24 para a mais que previsível enxurrada de chamadas, alguém que prepare o registo eficaz de infectados e não vá usar uma aplicação antiga que já não funcionava devidamente, alguém que crie uma comissão para o Covid-19 e não deixe passar mais de três meses sem reunir, alguém que não dê respostas tontas como a situação geográfica, etc, etc. E já nem falo do episódio dos anestesistas da maternidade, do fecho da urgência de pediatria do Garcia (efectivamente depois do fecho não houve mais queixas) ou da mudança de administração do hospital de Viseu que imediatamente cancelou uma obra que ao fim de anos de espera fora finalmente aprovada. Tudo isto antes do covid. Em conclusão, quero é alguém que tenha competência suficiente para gerir a situação e sobretudo que tenha atitudes coerentes e que saiba estar calado quando, com os meios que se têm, não há possibilidade de fazer melhor. Alguém que não venha dizer que não sabemos fazer porque não somos alemães ou que temos um problema geográfico para transferir doentes. Porra que o ridículo mata e neste caso mata outros. E mata, entre outras razões, porque retira credibilidade a quem o diz e ao que diz, ainda que muito acertado. Por favor, retirem as pessoas simpáticas e sacrificadas e substituam-nas por alguém que resolva problemas, nem que tenham de ir contratar um alemão,mesmo que antipático (o que é um mito, porque há alemães muito divertidos) Ah! E há uma outra coisa muito simples. Aquela expressão muito usada "não queria estar no lugar dela", tem solução muito facil: não estejam.

Censores e censores anti-censura

Agora que os racistas anti-racistas estão numa ligeira pausa reflexiva, surge subitamente uma carta censória que teve logo a resposta de pelo menos duas cartas censórias, tudo no público e uma no eco (https://www.publico.pt/2021/02/23/opiniao/noticia/carta-aberta-televisoes-generalistas-nacionais-1951298  , https://www.publico.pt/2021/02/27/opiniao/noticia/carta-aberta-diaconos-remedios-1952342  ,  https://eco.sapo.pt/opiniao/uma-carta-aberta-aos-censores/ )

Se a primeira é uma lamechice pegada, as outras duas são um blá, blá, composto de clichés análogos ao dos censores, ao mesmo tempo que reclamam pela liberdade, coisa que não parecem saber o que seja. Na prática são apenas censores anti-censura.

A lamechice da primeira é a comprovação da incompetência generalizada das figuras que pululam pelo governo. Os jornalistas são agressivos? São impertinentes? Oh! Que chatice! Então com o tempo de antena que os vários ministros, secretários, acessores têm, não há um só que ponha, em directo, os jornalistas em sentido com argumentos devidamente fundamentados?

É certo que é capaz de ser difícil preservar um pouco de respeito ou credibilidade quando, por exemplo (apenas três entre dezenas, para ser optimista), em menos de 24 horas, a dgs, o ministério da saúde e o primeiro-ministro dão quatro números diferentes e completamente díspares para a capacidade de testagem, que variavam entre os 30.000 e os 4.000, numa altura em que se faziam pouco mais de 2.000 testes diários. A situação da linha saúde 24, que era uma questão de logística elementar foi apenas mais um pequeno pormenor de quem ao longo destes meses se tem comportado como baratas tontas. Mais recentemente temos as promessas de que vão ser vacinados até... No entanto, qualquer prazo está limitado pela recepção de vacinas. Seria elementar dizer que há a capacidade técnica de aplicar um certo número de vacinas, desde que as haja. Ah! E também o insignificante pormenor de não terem seringas suficientes, que só não se tornou mais visível porque não há vacinas.
A partir destes pequenos, mas significativos exemplos, quem é que confia nestas figuras para levar a cabo qualquer tarefa? E se estas figuras não são capazes de por si só dar respostas conclusivas a jornalistas "agressivos", apenas reforçam a ideia de incompetência. Compreende-se então que peçam uma ajudinha, não para resolver o problema de saúde, mas para resolver o problema de poleiro. E, como somos um povo de brandos costumes e amantes de fado, nada como uma cartinha lamechas.


Já os censores anti censura usam os métodos do costume. Completa ausência de perspectiva, opiniões avulso, fundamentação zero. São o perfeito exemplo da mediocridade "jornalistica" em embrulho assim assim, e conteúdo ausente.


Enfim, a demonstração de ignorância e falta de rigor conceptual e, consequentemente, de ausência de um pensamento. Apenas ruído e tagarelice.

Os indigentes (2)

  Um dos filósofos de referência (Hegel) dizia (mais ou menos) que tudo traz em si a semente da sua própria destruição.  Olhando a Europa de...