(a propósito de um poste lido hoje num blogue que sigo: “horas extraordinárias”)
Pelo menos desde os últimos cinquenta anos, há uma apologia da ignorância e, por acréscimo, da estupidez, que provém de vários sectores da sociedade, sendo o mais insuspeito a Universidade (ler ou reler Allan Bloom “a cultura inculta”) que se constitue como o novo centro difusore do obscurantismo.
Todo o verdadeiro conhecimento é desprezado e em seu lugar reaparecem (ou aparecem) as mitologias religiosas e outras que conferem aos seus seguidores a inabalável convicção da sua verdade. Essa convicção ignora o outro e consequentemente tudo o que é verdadeiramente humano na sua infinda variedade.
Essa variedade é a diferença que os vários puritanos não podem admitir porque põe em causa a “sua própria verdade”.
Os fanatismos, os nacionalismos, os ideologismos, têm todos o seu suporte na ignorância e conduzem sempre a uma forma de violência sobre o pensamento que reflecte e pergunta e procura a resposta. A sua expressão é visível na mediocridade de políticos, jornais, dirigentes associativos, etc. e pode ter consequências extremas como a proibição de obras “impuras” ou o ataque a Alcochete que, embora diferentes na sua espectacularidade, têm a mesma raiz.
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