segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Mistificações

 


Uma das “notícias” de hoje foi a não aprovação por parte de Portugal, de sanções contra a Venezuela. Acontece que Portugal não se opôs, no seio da União Europeia, à aplicação de sanções à Venezuela, pela simples razão de que essa questão não foi ainda discutida entre os Estados-Membros da UE”, afirmou hoje o Governo português, numa nota emitida pelo gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros. http://www.dn.pt/portugal/interior/governo-desmente-ser-contra-sancoes-a-venezuela-8647866.html

Por aqui se vê como a narrativa dominante (ou a linguagem do poder) não tem fronteiras nem respeita o que ou quem quer que seja. Os terroristas de colarinho branco, especializados em especulação financeira e lucro rápido,estão por todo o lado e nunca olham a meios para a obtenção de benefícios.
Uma notícia destas é uma óbvia forma de pressão sobre um país que tem na Venezuela uma enorme comunidade além de negócios com o seu governo.
Os donos dos meios de informação mostram ainda a hipocrisia moral e a colaboração objectiva com situações de terrorismo como as denunciadas aqui http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-07-05-Arabia-Saudita-tem-ligacoes-claras-ao-terrorismo-que-tem-assolado-o-Reino-Unido

(A Arábia Saudita é a maior promotora estrangeira do extremismo islâmico que tem assolado o Reino Unido. Assim dita a Sociedade Henry Jackson, num relatório em que é sublinhado que existe uma “clara e crescente ligação” entre o grande aliado árabe do Ocidente e organizações islamitas, pregadores de ódio e grupos jiadistas que promovem a violência.)

A Arábia Saudita é o grande aliado económico de quem propõe sanções à Venezuela. Sabe-se quais os direitos das mulheres neste país. É portanto óbvio que os interesses que estão a comandar a informação e a ameaça velada ao “único ” país que não disse sim numa reunião/votação que não existiu, não são humanitários mas de rapina.

A Arábia e a Venezuela não constam da mesma notícia e ter trazido para aqui ambos os países é só para tentar mostrar o que há de comum nas informações que nos vão aparecendo, ou seja, a manipulação de quem lê. A manipulação dos que se julgam donos do poder, um poder sem fronteiras e sem limites.

É  conveniente que se comece a olhar a informação com mais espírito crítico, a procurar o que não está escrito, a reflectir sobre o que a linguagem esconde.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Os indigentes (2)

  Um dos filósofos de referência (Hegel) dizia (mais ou menos) que tudo traz em si a semente da sua própria destruição.  Olhando a Europa de...