segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O coro e os coristas

 



Há em todos os jornais e tv um coro histérico em torno da lista de mortos, como se da existência de uma lista dependesse a vida do país. E a lista parece que interessa aos seguros. Bom, então os seguros, que têm os seus peritos, não investigam? Interessa às famílias. Mas as famílias desconhecem os seus mortos? Então como sabem que são família? Ou será que o interesse principal é a propaganda e a coscuvilhice?
Parece ainda que o governo tem uma “tese” para a queda do helicóptero em Alijó: aterragem de emergência. Parece que afinal o helicóptero ficou incontrolável e caiu. Ficamos assim a saber, segundo os coristas, que é ao governo que compete averiguar porque é que caiu o helicóptero e,em qualquer caso a culpa da queda é do governo.
Seguindo estes “elevados “ critérios coristicos, eu também quero saber o que é que o governo tem a dizer sobre o acidente em cadeia que ocorreu na vci. Quero também saber que é  feito do inquérito ao caso do comboio que atropelou um cão, assunto que também preocupa o pan, que até manifestou a intenção de mover um processo. Suponho que o condutor do comboio se terá desviado dos carris só para atropelar o cão.
Esta histeria coristica, ampliada pelos jornais que são, sem excepção, “dirigidos” por gente de direita em obediência aos seus proprietários, faz-me lembrar a “histeria de massas do fascismo” (sim, o livro do Reich é psicologia). O vazio de substância enche-se do grito histérico.
Em questões de substância é conveniente não mexer, nem de um lado nem de outro. É que o lixo produzido por governos, autarquias, bancos, etc. nos últimos quarenta anos, por todos os partidos, boys e outros familiares, é tanto, que o fedor é de fazer cair para o lado qualquer um, excepto os que nele têm chafurdado e continuam.
Compreende-se assim que coristas, governo e opositores se agarrem a questões acessórias para que ninguém se lembre de perguntar, por exemplo, como vai a dívida, como vai o fundo da segurança social, como vai o SNS, como vão os bancos, como vai realmente o ensino e as escolas, etc, etc, etc.
Agarrados à propaganda rasca e irresponsável, sem princípios mas com interesses, continuam todos a vender ilusões (aos votantes) no seu nicho de mercado.
Assim, uns e outros preparam o próprio fim e a ascensão do fascismo que já é candidato a uma câmara.


A instalação está montada, só falta o clique.

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