segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O fascismo quotidiano.

 


Todos os nacionalismos conduzem a um fascismo, sejam os seus beneficiários uma elite financeira ou burocrata. Os líderes são sempre psicopatas e quanto mais ignorantes mais perigosos, tanto mais que desconhecem a sua gloriosa ignorância.
Não há ditaduras de esquerda e ditaduras de direita. Há ditaduras e todas elas são uma ferida na humanidade. O discurso do poder, financeiro e burocrático, é que propagandeia essas divisões, enquanto a sua ditadura prossegue de vento em popa. Esta não é nacionalista, mas global e impõe-se às próprias ditaduras nacionalistas. Os seus métodos também são diferentes e muito mais eficazes. O seu objectivo também é muito simples: o lucro.
O lucro a qualquer custo, morra quem morrer. Os baixos salários, o aumento dos horários de trabalho, as cada vez maiores diferenças de rendimentos entre trabalhadores e executivos de topo, as crescentes dificuldades no acesso a verdadeiros cuidados de saúde, são apenas algumas das manifestações visíveis dessa ditadura, tanto mais perigosa quanto ignorada e disfarçada de democracia.
Ainda assim, Portugal é um paraíso quando comparado a mais de dois terços do mundo. É um paraíso porque está na Europa e ainda beneficia, mesmo que perifericamente, do saque que a tecnologia europeia permitiu em África, América ou Ásia.
A ditadura global só pode ser combatida globalmente. O fechamento em nacionalismos é uma ilusão que, ao contrário do pretendido, apenas reforça a ditadura global que não tem país, povo, ou sequer uma face visível, exceptuando alguns grupos financeiros, agências de rating, fundos de investimento. Mas quem está por detrás destes grupos? Será que traficantes de droga, armas, seres humanos, é que são os verdadeiros “dirigentes“ do mundo? E que todos os que lutam contra, são como Sisifo, meros condenados a arrastar, montanha acima, o mesmo rochedo indefinidamente?
E quem, verdadeiramente, tem consciência da necessidade dessa luta? Se olharmos os comentários de jornais on-line, dos Facebooks, os reality show das TVs, os comentadores futeboleiros ou politiqueiros, somos levados a crer que ninguém.
E no entanto essa não é a verdade. É apenas o que se retira da narrativa dominante, que é composta de muitas sub-narrativas incluindo as que aparentemente estão contra. É o exemplo dos vários separatismos que são apenas formas de atingir o poder (um ilusório poder) acentuando o nacionalismo, o fechamento. É apenas a ignorância da história. São objectivamente aliados da ditadura global e muito rapidamente se vê que a actuação dos burocratas e politiqueiros em nada difere daqueles contra quem se querem afirmar.

Parafraseando Sartre, a minha liberdade só o é se for com os outros.

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