segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Os professores e a cosa nostra governamental

 


O PS quer a maioria absoluta.

Para o conseguir pôs a sua máquina de agitação e propaganda em acção. A agitação e propaganda, como devem saber, usa o método análogo ao dos feirantes e vendedores de banha da cobra. Os utilizadores da agitação e propaganda têm o mesmo objectivo: ganhar em proveito próprio, não importa quem seja enganado.

A primeira manifestação óbvia de que a máquina estava a mover-se foi o conjunto concertado de declarações a demarcarem-se de Sócrates, curiosamente umas duas ou três semanas antes de vir a público a notícia de uma off shore do primo, com mais de 200 milhões de euros depositados.

Depois a cuidada gestão das sondagens e o lançar de notícias e propostas de negociação com professores para verificar como mexiam as sondagens. Primeiro não há contagem dos nove anos de congelamento. Depois já se contam dois e é pegar ou largar. Paralelamente os blogues da agiprop e outros escribas vão afirmando, insinuando, difamando.

Então não é que estes malandros privilegiados querem o que os outros não têm? Estes malandros que estão há nove anos com carreiras congeladas, alguns milhares que viram ser-lhes retirado um escalão e consequente redução salarial, acham que são secretários de estado? Assessores? Deputados? E já agora não querem também subsídio de deslocação? E viagens pagas em duplicado? Moram em Braga e são colocados em alcácer do sal apesar de vinte anos de trabalho? E depois? Deviam ter-se inscrito numa jotinha e já tinham as mesmas condições.

Quando além dos professores olhamos os médicos do SNS, os enfermeiros, etc. é fácil constatar que nenhuma medida estrutural é posta em prática, até porque comprovadamente não há competência para tal e o único e verdadeiro interesse é o poder, lixe-se quem se lixar.

Sobre competência e honestidade basta ler ou ouvir a confrangedora argumentação sobre fogos, poluição no Tejo, assalto a Tancos, viagens e subsídios de deputados e ficamos esclarecidos.

Falo do PS porque é o que está no governo. No entanto os últimos 40 anos são elucidativos sobre a metodologia de qualquer partido que tenha passado pelo governo. A única diferença é que há alguns anos ainda havia algumas pessoas competentes e, surpresa das surpresas, um ou dois honestos ou pelo menos com vergonha na cara.

Concluindo, o PS burlou as esperanças de quem nele e nas suas promessas confiou. O PS chantageia quem reclama o que lhe foi roubado, acusando a vítima da sua própria (PS) incompetência. E podemos falar de roubo porque quando não se devolve o que foi tirado e se aumentam salários em causa própria é de roubo que falamos.

Como é óbvio, os professores vão ser, até às eleições, o centro das atenções, porque já há alguém a quem acusar de intransigência e culpar pelos insucessos próprios. Entretanto, outras questões como falta de médicos e enfermeiros, serviços fechados no Santa Maria, pediatria do S. João e tantos mais, vão sendo ignorados.

As maiorias absolutas já provaram à exaustão que, no nosso país (como em qualquer outro), conduzem à absoluta tentação da corrupção.

Esqueçam o que ouvem e vos dizem. Façam como as crianças na idade dos porquês, perguntem e voltem a perguntar e usem o pensamento crítico de gente madura.

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