quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Os indigentes (2)

 Um dos filósofos de referência (Hegel) dizia (mais ou menos) que tudo traz em si a semente da sua própria destruição.

 Olhando a Europa de hoje e os partidos que nela proliferam, é, para quem quiser ver, que os pretensos democratas, à esquerda ou à direita (como se existisse algo além de nichos de mercado) são os portadores da sua própria destruição.

É fácil verificar que não há em qualquer partido um pinguinho de pensamento reflexivo, uma perspectiva de acção que veja para além do próximo lance como num mau jogo de xadrez.

Nada é feito em função de um futuro que acautele as novas gerações e as que hão de vir. Por incompetência, por interesse, por egocentrismo, no fundo por indigência moral e intelectual.

Eis um pequenino exemplo dessa indigência e desse caminho para a destruição da democracia : há poucos dias, enquanto o portão da minha garagem baixava, um indivíduo conseguii esgueirar-se pelo curto espaço ainda livre e introduzir-se na garagem, roubando uma bicicleta. Quando saia já com a bicicleta, por mera coincidência passava uma carrinha da polícia que, já o conhecendo o mandou parar. Entretanto o meu vizinho, proprietário da bicicleta confirmou o roubo e a polícia levou o assaltante para a esquadra, não sem que este, com ar de gozo, se risse na cara do polícia porque o mais tardar no dia seguinte já estaria cá fora.

Isto foi um facto que presenciei à porta da minha casa. Ocorrem-me então várias questões.

1 – porque se ri o assaltante?

2 – se os polícias o reconheceram e mandaram parar foi porque tinha antecedentes dos quais saiu impune.

3 – sabendo os polícias que o resultado seria a libertação do assaltante, por que raio se hão de dar ao trabalho e eventual risco de o prender?

4 – qual seria a atitude de qualquer pessoa que no desempenho do seu trabalho fosse gozado publicamente?

5 – qual o sentimento da vítima sabendo que o assaltante pode impunemente continuar os seus assaltos?

Este exemplo basta-me e nem preciso de referir notícias de jornais que diariamente referem assaltantes recorrentemente presos e imediatamente soltos, de queixas de violência doméstica e perseguição que acabam em mortes, de cadastrados que ameaçam, agridem e ferem e continuam impunemente na sua “actividade “.

Há gente que difama, insinua, afirma e não tem que fundamentar aquilo que diz. Tudo é liberdade de expressão. Por exemplo chamar filho da p***, cab***, etc a policias não é insulto, segundo notícia de um jornal que há tempos relatava uma decisão de um tribunal. Só tenho dúvidas que a decisão fosse a mesma se o não insulto fosse para quem proferiu a sentença.

Quem se dê ao trabalho de ler ou ver diariamente estas notícias, talvez sinta alguma indignação, sobretudo se trabalhar e fizer os seus descontos que depois pagam as casas camarárias, os rsi, as seringas e o lixo espalhado pelas ruas.

Como não compreender a reacção do autarca que quer tirar as casas camarárias a quem comete crimes?

Os tribunais soltam os assaltantes porque é a lei, embora não perceba muito bem como é que alguém que não tem residência possa ser sujeito a termo de identidade e residência. Mas enfim, são pormenores.

Surge-me então outra pergunta : quem faz as leis? Não são os governos e os deputados?

Então se na prática, os pequenos exemplos atrás falados são consequência das acções de governantes e deputados, quer dizer que estes são objectivamente cúmplices desta impunidade e destes actos.

Mas como tudo é legal, está tudo bem.

E assim se destrói a democracia, como bem sabe a nossa actual vedeta que entretanto vai aumentando o seu nicho de mercado. 


sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Indigência

 Ouvimos os discursos políticos, os discursos de “comentadeiros”, lemos títulos de jornais, lemos, ouvimos, vemos, psicopatas assassinos que raptam, violam, assassinam e são aplaudidos no nosso país e por essa Europa fora. Vemos psicopatas assassinos que se vingam de outros psicopatas assassinos matando indiscriminadamente assassinos e milhares de crianças que ainda não tiveram tempo de serem assassinos, mas que já têm história e razões suficientes para o serem. Vemos psicopatas assassinos que resolvem invadir, violar, assassinar, serem alvo de várias sanções que, entre outros resultados, propíciam  um aumento de importação do gás do sancionado pelos sancionadores, num acto de perfeita coerência com a moral sempre vigente de que primeiro estão os interesses e depois a vida dos outros, tornando-se objectivamente apoiantes do que dizem não apoiar.

Vemos indigentes gritar pela paz e apoiar o agressor, gritando que o agredido deve parar de responder ao agressor e fazer a tal paz.

Entretanto outros psicopatas que que vivem da morte e vivem refastelados na sua segurança, continuam a fabricar armas cada vez mais sofisticadas que além das mortes directas, como em todas as guerras, matam pela destruição que deixa as vítimas sem comida, sem água, sem medicamentos. Promovem activamente, entre os sobreviventes, mais uma leva de assassinos que, sem outra esperança, hão-de continuar uma qualquer guerra, porque foi nela que nasceram, viveram e morrerão.

Os indigentes que fazem de conta que defendem a paz, não atacam as fábricas de armas, os traficantes que investem nessas mesmas fábricas, ou os bancos seus accionistas, ou o crime organizado, ou os políticos que defendem com unhas e dentes os seus nichos de mercado, que é como quem diz, a sua comissão, o seu tacho.

Não. Estes indigentes corajosamente atacam as mesquitas as igrejas cristãs, as judaicas. Atacam associações (muitas vezes realmente pacificas) de judeus, muçulmanos, cristãos. Explodem-se em mercados

Estes indigentes, incapazes de um pensamento crítico, de um pensamento um pouquinho mais complexo e honesto que o grito histérico, são, na prática os cúmplices activos da indigência que cresce a olhos vistos.

Pensar reflexivamente é preciso. Não o fazer é permitir que a indigência de políticos e opinadores de sofá levem a humanidade à extinção.

sábado, 6 de maio de 2023

Estorietas incompletas (2)


- Senhor, paga-me um croissant e uma meia de leite? Ainda não comi nada hoje.

- Um novato. Já sabem que não dou “moedinhas”

- Estes gajos têm a mania que são doutores.

Ignora-o e começa a subida íngreme embora curta. As árvores do jardim botânico, debruçadas para a rua, deixavam no passeio um tapete de folhas que, molhadas pela recente chuvada, se tornaram perigosamente escorregadias para quem desce.

Atravessa para a outra rua e deixa para trás o café onde, no regresso, irá beber o cimbalino.

- Então hoje não vai um cafezinho?

- Mais logo. Mais logo.

Os edifícios, sempre os mesmos. Os passantes são ignorados excepto os pedintes que vão mudando consoante os turnos e o tempo em que ocupam o mesmo lugar. Nunca se sabe o que esperar.

Àquela hora há muito movimento de entrada e saída de escritórios, de procura de algum dos muitos restaurantes ou cafés que sirvam uma refeição, normalmente simples e barata.

Depois da rotunda, o antigo mercado, agora mais um centro comercial. Na esquina, escondidas, as estátuas nuas do Cutileiro que tanto escândalo causaram na época.

A proximidade de quatro faculdades altera a idade das pessoas com quem se cruza. São mais jovens e barulhentos.

Um conjunto de pavilhões pré fabricados e um antigo palacete à entrada, foi o local da sua antiga faculdade. Quase em frente o café botânico.

Senta-se na esplanada coberta. 

- Então é agora o cafezinho?

- Claro que sim senhor Sousa. Já sabe o que quero.

Começa a descida para casa, pelo passeio menos escorregadio. No cruzamento uma velha “conhecida”, cada vez mais magra e doente.

- Ó senhor. Ó senhor. Dê-me dinheiro para o autocarro senão chego atrasada à instituição.

Deu-lhe o dinheiro para o autocarro. Foi a última vez que a viu.

Chega a casa. Quatro quilómetros e meio numa hora e cinco minutos. Nada mau

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Estorietas incompletas (1)

Estorietas incompletas.  

Ultimamente tenho-me entretido com uns exercícios terapêuticos que consistem em escrever pequenas estorietas sem princípio nem fim e sem outro objectivo que o de recuperar um prazer de juventude que era escrever.  

Aqui vai a primeira. 

A água suja embate regularmente na parede do cais onde o pequeno barco chegará em breve. Dezenas de peixes movimentam-se na busca de alimento e espanto-me com a sua quantidade e sobretudo com a sua capacidade de adaptação a águas tão poluídas. A poucos metros um esgoto alimenta-os. Ao longo do paredão pescadores lançam o isco e esperam indiferentes às águas poluídas. Se o peixe ali vive não será à mesa que os matará. E talvez até os ajude a sobreviver num ambiente cada vez mais hostil. Pelo menos é a conversa. 
Provavelmente indiferentes a estas filosofices, os estafetas escravos dos traficantes da pasteleira vão saindo do antigo quartel militar que agora lhes serve de refúgio e em passo acelerado sobem pela rua do fluvial para a primeira dose do dia, primeira viagem de entrega ao domicílio. É preciso correr para ganhar mais uma dose, fazer mais uma entrega. O quartel é mais perto da zona de abastecimento e não está sujeita às regras do abrigo da câmara. Ao lado um condomínio de algum luxo e mais acima o “fluvial “, mais adivinhado que visto, devido à névoa que tão frequentemente sobe do rio e se espalha pelas encostas e arribas. Ainda assim notam-se silhuetas de algumas casas de quintas que se penduram ao longo da subida, quase até ao Miradouro de Sta. Catarina com a sua capela. O nevoeiro já não permite ver tão longe, nem sequer a cor de algumas das casas de quinta pintadas com aquele amarelo característico das antigas casas alentejanas. Também há uma diferença que o dinheiro paga. No Alentejo era o barro a matéria prima para pintar as barras que delineavam janelas e portas. O resto das paredes eram caiadas de branco. Aqui o amarelo enche as paredes e é tinta sintética, provavelmente preparada para exteriores e à prova de infiltrações. Rodeando as quintas, algumas casas de habitação, envelhecidas umas, outras recuperadas e hoje, todas perdidas no nevoeiro, apesar de leve, como perdidos estão os estafetas. À minha esquerda, ao longo da marginal, na direcção da foz, há moradias individuais com vista privilegiada para o rio e também para o odor privilegiado da ETAR. Mais além só a memória vê alguns edifícios baixos e antigos e mais adiante o porto dos pescadores e a casa dos pilotos da barra com o seu farol. 
Aqui, o cais que já foi um local de grande movimento e onde em tempos funcionou um estaleiro, está mais ou menos ao abandono. Olhando os restos de madeira e velhas carcaças e outras ruínas do passado, é difícil imaginar que este cais do ouro já foi, talvez, o mais importante estaleiro naval do Porto e onde, só na época dos Filipes, apenas numa empreitada foram construídos dezoito galeões, provavelmente destruídos no desastre que foi a armada invencível. 
 O barco que nos vem buscar é um pouco clandestino. O pescador que o dirige tem licença de pesca mas não de transporte de passageiros. Aceitou levar-me e ao meu amigo turista de ocasião porque ganhava uns euros sem grande esforço e era uma viagem curta até à vila piscatória na outra margem. É o marido de uma das raríssimas peixeiras ambulantes que ainda por cá existem e a quem costumo comprar o peixe fresco. Enquanto esperamos olho o único pescador, de idade indeterminada, que se ocupa na reparação de uma rede de pesca, com as costas apoiadas ao seu pequeno barco. De súbito ocorreu-me ser um personagem de Hemingway. Nunca gostei de barcos e muito menos destas “traineiras”que bailam na água ao sabor de qualquer corrente ou ondulação, sem que eu saiba como controlar. E o barco que aparece do nevoeiro não me dá grande confiança. Mas é preciso pensar que se há anos que atravessa as águas e é instrumento precioso para alimentar o pescador e família, não será hoje que vai falhar. A mulher desce do barco com o cesto do peixe que irá vender no seu posto habitual. Enfia o braço na asa, atravessa a marginal, contorna o quartel e perde-se no nevoeiro e na subida das Condominhas. É preciso agora alguma concentração para entrar no pequeno barco e não o desequilibrar. Os bancos são apenas duas tábuas, onde nos sentamos e aonde me agarro como se fosse um cinto de segurança. Pelo menos este está equipado com um motor suficiente para o mover e não será necessário pegar nos remos, espero. Apesar de leve, o nevoeiro não permite ver com nitidez a outra margem. Apenas silhuetas indecifráveis indicando que algo sólido existe do outro lado. Assalta-me o súbito desejo de um café no quiosque do jardim mesmo no ponto em que o rio e o mar se confundem. Mas, paciência. Este barquito não tem serviço de bar. Semicerrando os olhos procuro ver o observatório de aves a poucos metros do cais que acabamos de deixar. Em dias de sol vê-se facilmente a reserva na outra margem. Hoje apenas se ouve a sua comunicação barulhenta embora curiosamente agradável. À medida que nos afastamos da margem procuro outras referências. Mas para além da silhueta próxima da ponte da Arrábida, tudo o resto é difuso. Nem os prédios de luxo construídos pela marginal fora, em direcção à ponte e encostados à arriba, são nítidos. Muito menos o largo onde por vezes almoçava ou jantava em algum dos vários restaurantes. O barco balançava e o pescador ia-nos tranquilizando que isto hoje, apesar da nevoazita está calmo. Enquanto o cais que deixaramos se vai esfumando, a outra margem ganha contornos quase identificáveis. Edificios, e barcos. Muitos barcos ou não fosse uma aldeia piscatória. Com uma agilidade insuspeita o barquito evita todos os obstáculos e encosta no ancoradouro. Com as pernas um bocado tremeliques, ponho o pé em terra firme. 
Mau dia para ver o Porto a partir da outra margem que é sem dúvida de onde se tem a melhor perspectiva da cidade. Mas ainda é cedo e normalmente nesta época este nevoeiro ligeiro levanta a meio da manhã. Vamos procurar “a casa do pescador” e comer um pequeno almoço calmamente. E beber um café. Sobretudo beber um café. Finalmente o nevoeiro desapareceu e como uma pintura subitamente desvelada, revela-se na outra margem um casario que sobe pelas encostas e se espalha por ruas, ruelas, quelhas, numa mistura de antigo e moderno. Cúmplice, o sol reflete-se nas águas anormalmente pacíficas do Douro e contribui para uma visão quase etérea da paisagem com a capela de Santa Catarina no alto. Aquela luminosidade lembra-me a lenda sobre a origem da outra capela, a da sra da ajuda, a curta distância do cais do Douro. De onde agora nos encontramos, a curva do rio a seguir à ponte já não nos permite a vista da zona da alfandega e da ribeira, núcleo da cidade antiga que daí se estendeu até à foz do rio e para o interior, tendo a circunvalação como fronteira com os outros concelhos, embora aqui e ali se estique um pouco para lá. A tela que se nos oferece mostra edifícios novos e caros, junto à ponte, encostados à escarpa, com vista magnífica para o rio, de um dos lados enquanto do outro tem uma vista privilegiada para a escarpa que deve estar a menos de dez metros e ultrapassa em altura o edifício. Eventualmente para segurar alguma derrocada da escarpa. Seguindo o olhar em direcção à Foz e ao longo da marginal, alguns edifícios antigos agora recuperados. Numa estreita língua de terra uma curiosidade, provavelmente única ; um mictório público em ferro fundido. Na verdade não o consigo ver deste lado do rio e não posso garantir que ainda exista. Já há algum tempo que não passo pelo local. Por aí costumam ver-se pequenos grupos de homens, provavelmente reformados, que se entretêm em intermináveis jogos de cartas regados com umas cervejas. Eventualmente, nos intervalos, armados com as suas canas de pesca e com a caixa do isco espalhar-se-ão ao longo do paredão e talvez algum peixe se junte ao convívio num churrasco à beira rio.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Regresso à terapia (outra vez)

Deixei de ver ou ouvir o programa da Joana Marques. E não, não é pelo humor por vezes agressivo. É que é confrangedor ver o nível intelectual e moral da generalidade dos seus alvos. O stress que me causa tanta ausência de sentido do ridículo, tanta ignorância, tanto inchaço, tanta idiotice, tanta gente incapaz de dizer duas frases seguidas com algum sentido, é insuportável. Apesar de tudo, de vez em quando ainda há alguns (raros) capazes de se rir dos comentários e de si próprios o que no mínimo revela inteligência. Bem vistas as coisas, o espectáculo que governantes, candidatos a governantes, ou seja, as oposições e seus congéneres, comentadores e jornalistas é de tal forma deplorável, que até as vítimas da Joana parecem sobredotados. Ninguém sabe nada. Depois todos sabem tudo. Todos mentem. É caso para dizer “pinóquio volta que estás perdoado” E pronto, agora que já fiz os meus cinco minutos de terapia (e má língua) vou ver um filmezito leve, talvez o John Wick 3.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

A irritante simpatia das pessoas simpáticas

Há uma irritante forma de pensar que é não pensar. É uma forma de confundir emoção com pensamento reflexivo. Assim, linearmente, é o que os louvores pelo sacrifício em benefício do bom povo significam quando se fala da ministra da saúde ou da responsável pela dgs. Bom, até poderão ser as pessoas mais simpáticas deste mundo e arredores. Porém, nos lugares que ocupam não quero pessoas que valham pela sua simpatia e afabilidade. Já a sua capacidade de sacrifício é um ponto a considerar. No entanto e na situação de excepção em que vivemos, o que quero é alguém que não atrase a compra de vacinas para a gripe (não é da Covid-19, é da gripe) e venha com desculpas do mercado. Alguém que atempadamente prepare a linha saúde 24 para a mais que previsível enxurrada de chamadas, alguém que prepare o registo eficaz de infectados e não vá usar uma aplicação antiga que já não funcionava devidamente, alguém que crie uma comissão para o Covid-19 e não deixe passar mais de três meses sem reunir, alguém que não dê respostas tontas como a situação geográfica, etc, etc. E já nem falo do episódio dos anestesistas da maternidade, do fecho da urgência de pediatria do Garcia (efectivamente depois do fecho não houve mais queixas) ou da mudança de administração do hospital de Viseu que imediatamente cancelou uma obra que ao fim de anos de espera fora finalmente aprovada. Tudo isto antes do covid. Em conclusão, quero é alguém que tenha competência suficiente para gerir a situação e sobretudo que tenha atitudes coerentes e que saiba estar calado quando, com os meios que se têm, não há possibilidade de fazer melhor. Alguém que não venha dizer que não sabemos fazer porque não somos alemães ou que temos um problema geográfico para transferir doentes. Porra que o ridículo mata e neste caso mata outros. E mata, entre outras razões, porque retira credibilidade a quem o diz e ao que diz, ainda que muito acertado. Por favor, retirem as pessoas simpáticas e sacrificadas e substituam-nas por alguém que resolva problemas, nem que tenham de ir contratar um alemão,mesmo que antipático (o que é um mito, porque há alemães muito divertidos) Ah! E há uma outra coisa muito simples. Aquela expressão muito usada "não queria estar no lugar dela", tem solução muito facil: não estejam.

Censores e censores anti-censura

Agora que os racistas anti-racistas estão numa ligeira pausa reflexiva, surge subitamente uma carta censória que teve logo a resposta de pelo menos duas cartas censórias, tudo no público e uma no eco (https://www.publico.pt/2021/02/23/opiniao/noticia/carta-aberta-televisoes-generalistas-nacionais-1951298  , https://www.publico.pt/2021/02/27/opiniao/noticia/carta-aberta-diaconos-remedios-1952342  ,  https://eco.sapo.pt/opiniao/uma-carta-aberta-aos-censores/ )

Se a primeira é uma lamechice pegada, as outras duas são um blá, blá, composto de clichés análogos ao dos censores, ao mesmo tempo que reclamam pela liberdade, coisa que não parecem saber o que seja. Na prática são apenas censores anti-censura.

A lamechice da primeira é a comprovação da incompetência generalizada das figuras que pululam pelo governo. Os jornalistas são agressivos? São impertinentes? Oh! Que chatice! Então com o tempo de antena que os vários ministros, secretários, acessores têm, não há um só que ponha, em directo, os jornalistas em sentido com argumentos devidamente fundamentados?

É certo que é capaz de ser difícil preservar um pouco de respeito ou credibilidade quando, por exemplo (apenas três entre dezenas, para ser optimista), em menos de 24 horas, a dgs, o ministério da saúde e o primeiro-ministro dão quatro números diferentes e completamente díspares para a capacidade de testagem, que variavam entre os 30.000 e os 4.000, numa altura em que se faziam pouco mais de 2.000 testes diários. A situação da linha saúde 24, que era uma questão de logística elementar foi apenas mais um pequeno pormenor de quem ao longo destes meses se tem comportado como baratas tontas. Mais recentemente temos as promessas de que vão ser vacinados até... No entanto, qualquer prazo está limitado pela recepção de vacinas. Seria elementar dizer que há a capacidade técnica de aplicar um certo número de vacinas, desde que as haja. Ah! E também o insignificante pormenor de não terem seringas suficientes, que só não se tornou mais visível porque não há vacinas.
A partir destes pequenos, mas significativos exemplos, quem é que confia nestas figuras para levar a cabo qualquer tarefa? E se estas figuras não são capazes de por si só dar respostas conclusivas a jornalistas "agressivos", apenas reforçam a ideia de incompetência. Compreende-se então que peçam uma ajudinha, não para resolver o problema de saúde, mas para resolver o problema de poleiro. E, como somos um povo de brandos costumes e amantes de fado, nada como uma cartinha lamechas.


Já os censores anti censura usam os métodos do costume. Completa ausência de perspectiva, opiniões avulso, fundamentação zero. São o perfeito exemplo da mediocridade "jornalistica" em embrulho assim assim, e conteúdo ausente.


Enfim, a demonstração de ignorância e falta de rigor conceptual e, consequentemente, de ausência de um pensamento. Apenas ruído e tagarelice.

Os indigentes (2)

  Um dos filósofos de referência (Hegel) dizia (mais ou menos) que tudo traz em si a semente da sua própria destruição.  Olhando a Europa de...